Mães de alunos relatam dificuldades com ensino remoto em Porto Velho, RO.


Com a pandemia do novo coronavírus, todo mundo precisou se adaptar a uma nova realidade. O distanciamento social, uso da máscara e higienização frenética das mãos estão entre as medidas para evitar a proliferação do Sars-CoV-2. No ambiente escolar, não foi diferente.  Como solução, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Porto Velho e a estadual de Educação (Seduc) encontraram na internet um meio para os alunos da rede pública não perdessem o ano letivo. No entanto, o domínio da tecnologia, acesso à internet e desenvoltura dos pais, mães e responsáveis na hora de ensinar, têm sido alguns dos obstáculos. 

Jucinéia Duarte tem três filhos: Lucas e Leonardo, de 14 anos, e Luan, de 10. Ela mora longe da área urbana de Porto Velho e a internet por lá não é das melhores. A alternativa de Jucinéia é usar os dados móveis do celular. “Para eu entrar na plataforma, que a escola passou, vai toda a minha internet do celular. É bem complicado, pois não temos o Wi-Fi”, explica. 


Um dos filhos de Jucinéia, Lucas, tem deficiência auditiva. A mãe do menino conta que isso aumenta ainda mais a dificuldade dela em ajudar no filho na hora dos estudos. 

“Para o Lucas fica mais complicado ainda. A explicação em si dos exercícios não consigo dar à ele, porque também não sei. Não tem sido nada fácil”. 

Um terceiro obstáculo listado por Jucinéia é a administração do tempo, além das atividades que são cobradas pela escola. “Tenho três filhos e me colocaram em três grupos de WhatsApp, e todos eles tem muita cobrança dos professores. Estou para sair de todos os grupos e deixar eles [os filhos] por conta, porque é complicado”, lamenta. 

Para Tatiane Vida, que tem dois filhos, um de 5 anos e outro de 14, também não tem sido fácil. As atividades enviadas pela escola ao mais novo, que está no Pré-II, são simples. No entanto, com as do mais velho, que está no 9º ano, há dificuldades tanto com as explicações dos conteúdos quanto com o domínio da tecnologia. 

“A escola informou que seriam enviadas tarefas/atividades por uma plataforma do Google. Os professores colocam as questões para responde referente ao texto que é incluso, ou eles informam a pagina do livro com o conteúdo. O problema é que não tem explicação alguma das questões”, explica.

“O texto vem sem nada. O professor não explica o que tem que fazer e só manda as questões. Fica muito complicado. Muitos dos conteúdos não consigo ensinar ou ajudar”, diz. 

A falta de comunicação entre professor e aluno também são problemas para Tatiane. “Meu filho manda mensagem em um chat, mas o professor não responde. Eu verifiquei algumas repostas do meu filho e claramente não foi corrigido pelo professor pois estava errada”. 

Uma professora do sistema municipal de ensino de Porto Velho, que preferiu não ser identificada, revela que há falta de estrutura para realização das aulas. 

“A questão é que a implantação das tais ‘aulas remotas’ no sistema municipal de ensino em Porto Velho, além de não ter estrutura e outros problemas mais, está causando aglomeração nas escolas. Está havendo idas e vindas de professoras, pais, mães e estudantes. A maioria não tem internet e recursos tecnológicos em casa, que se deslocam até as escolas para buscar as atividades”, ressalta. 

Xavier Gomes, professor da rede estadual de Rondônia e que está nas salas de aula há mais de 30 anos, pontua situações que interferem diretamente no desempenho do ensino remoto dos alunos. Segundo ele, não há nenhuma estrutura desenvolvida pelo Estado que possibilite que o modelo tenha alguma eficácia. 
“A grande maioria dos alunos não tem acesso à internet. Muitos deles não tem maturidade para esse modelo de ensino, já que a ideia do governo é a partir da 1ª série do ensino fundamental. Faltou também um treinamento prévio aos professores. A reclamação dos professores tem sido generalizada. Muita humilhação. Muita pressão”, aponta. 

Em Porto Velho, são 141 escolas que fazem parte da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Dessas, 98 do ensino fundamental, desenvolvem atividades pedagógicas não presenciais com a ferramenta Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). 

O que dizem Semed e Seduc? 

Semed informou que estão sendo entregues atividades impressas ao aluno que tem apresentado alguma dificuldade em acessar a plataforma do AVA. 

Diz ainda que escolas de educação infantil desenvolvem trabalhos educativos de caráter lúdico, recreativo, criativo e interativo. São exercícios para serem feitos com as crianças em casa. 

Com a ida dos pais até as escolas, a secretaria municipal diz que realiza medidas para evitar aglomerações, tais como manter o distanciamento de 1,5 metro nas filas, o uso de álcool gel e máscara por todos os servidores e pais de alunos. 

Quanto a dificuldade com o uso da tecnologia, a Semed cita que professores estão orientando os pais “com envio de orientações didáticas, áudios e vídeos explicativos via grupo de WhatsApp. Caso persista a dificuldade, têm sido orientados a procurarem a escola e optar pela retirada das atividades impressas”. 
Semed pontua também que a capacitação para os professores aconteceu por meio da equipe gestora, que reuniu, através de videoconferência, os profissionais e os orientou por tutoriais ao uso das ferramentas, como: AVA, Classroom e grupos de WhatsApp. 

Sobre a avaliação dos alunos e o desempenho durante a pandemia, a Semed explica que será feita somente no retorno das aulas presenciais, que é quando serão atribuídas as notas. 

Já a Secretaria de Educação de Rondônia (Seduc) pontuou que a aulas presenciais foram interrompidas no dia 17 de março, e as aulas remotas iniciaram em 8 de abril. Até o momento, recesso e férias não foram antecipados. Os planos para a retomada ainda estão em discussão. 

Ao perguntar à Seduc sobre como serão os critérios de avaliação e o auxílio aos alunos portadores de necessidades especiais. Em nota, a pasta informou apenas que aguarda a homologação do parecer 05/2020 do Ministério da Educação e que, assim que possível, irá divulgar as informações. 

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