Estudantes fazem checagem de fatos contra boatos sobre a Ciência.


Foto: Wilian Olivato

Por: Mariana Lima
Dúvidas levantadas por estudantes do Ensino Médio no Colégio Super Ensino, em Ourinhos, interior de São Paulo, estão sendo checadas pelos próprios estudantes. Os questionamentos, que têm origem nas redes sociais e em correntes do WhatsApp, são ouvidas pelo professor de Biologia Estêvão Zilioli, que, com o objetivo de diminuir a circulação de informações falsas, criou há 2 anos o projeto Hoax Busters.

O projeto, construído junto com os alunos, utiliza da checagem de fatos e da investigação científica para classificar e separar as informações verídicas e as falsas.
Com o projeto em funcionamento, o professor teve que mudar de postura. Antes, apenas respondia se as informações trazidas pelos alunos eram verdadeiras ou não, e explicava o porquê de não fazerem sentido.
Depois de tantos questionamentos, um dia ele resolveu mudar a tática: agora os alunos deveriam investigar e trazer o resultado de suas pesquisas para a sala de aula, para então debaterem a informação.
Logo os alunos começaram a perceber por conta própria que as mensagens não faziam sentido, sendo apenas uma tentativa para enganar as pessoas. Com essa motivação, Estêvão começou a incentivar os alunos a irem atrás das fontes primárias de pesquisa.
Durante uma das aulas de Estêvão, um dos alunos informou que recebeu uma mensagem no WhatsApp que dizia que o chá de anis tinha o mesmo princípio ativo do Tamiflu, um medicamento usado no tratamento da gripe H1N1.
O professor já desconfiava que fosse mentira, mas colocou os estudantes para descobrirem. Uma dupla descobriu a resposta: o princípio ativo do remédio pode ser adquirido a partir de uma substancia obtida no anis, no entanto, requer que ela passe por diversas reações em laboratório.
No final, a informação recebida por mensagem era uma simplificação exagerada de um fato que leva a conclusões precipitadas.
Em entrevista ao portal Nova Escola, Estêvão ressaltou a importância da aproximação entre os métodos utilizados por pesquisadores e repórteres. “Jornalismo bem feito e ciência bem feita são coisas muito parecidas”.
Estêvão buscou formas de se preparar para orientar os alunos no projeto através de workshops, como o da Agência Lupa. O projeto funciona no contraturno escolar, como uma atividade extracurricular através de oficinas optativas para os alunos do Ensino Médio.
O projeto cresceu ainda mais em 2018, quando o professor foi selecionado para o programa Google Innovator, do Google for Education. Desde então, o professor promove encontros semanais com um grupo de 15 alunos do Ensino Médio que participa de forma voluntária das checagens.

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