' '' Síntese crítica: Gênero e sexualidade nos desenhos da Disney | PROFESSORES DE PVH - POR VAL BARRETO

7 de mar. de 2019

Síntese crítica: Gênero e sexualidade nos desenhos da Disney


Por Val Barreto.

1 INTRODUÇÃO

Esse artigo consiste no resumo e inicia situando o livro que foi analisado e a partir disso, o capitulo do qual foi feito um resumo crítico. Em seguida é feita a apresentação critica e sintetizada sobre a temática “GÊNERO E SEXUALIDADE NOS DESENHOS DA DISNEY’, de modo que são feitas discussões, a partir da concepção do tema como interesse primordial na área da Pedagogia.

2 SOBRE O LIVRO

            O livro “Gênero e Sexualidade: Um debate contemporâneo na educação” é resultado do encontro de vários estudiosos sobre questões relacionadas à saúde, religião, educação, corpo, sexo, gênero. A equipe de organização é formada por Guacira Lopes Louro, Jane Felipe e Silvana Vilodre Goellner. Trata-se da 5ª edição do livro pela Editora Vozes, publicado em 2010.

2.1.1 Sobre o capítulo em questão

O capítulo em questão é o 12, intitulado por Gênero e sexualidade nos desenhos da Disney”, escrito por Claudia Cordeiro Rael, uma das autoras que discute a temática de gênero e sexualidade.
           
3 GÊNERO E SEXUALIDADE NOS DESENHOS DA DISNEY

            A autora inicia citando a perspectiva de Louro (1998) sobre as múltiplas práticas sociais, as instituições e os discursos ao redor do sujeito fazendo com que este produza e reproduza  as diferenças existentes entre as pessoas, que faça distinções e propague a desigualdade.
            Rael (2010) explica que o avanço tecnológico, a grande quantidade de informações e a acelerada forma como se espalha altera as formas de aprender e a escola, como espaço de aprendizagem e de acesso a informação e conhecimento não está livre das modificações nas formas de aprender.
            A escola embora não seja mais considerada o centro do problema e mesmo não sendo a única via de conhecimento, ainda é umas instituições de propagação de conhecimento muito importante.  Existem também, outras vias de construção e de divulgação de saberes explica a autora, citando o “cinema, os documentários, os shoppings, os museus, os brinquedos, os vídeos-game, e a mídia em geral”. (RAEL, 2010, p. 160).
            A autora afirma que além da escola, outros espaços também atuam como instâncias educativas, locais de compartilham informação, entretém as pessoas, e ao mesmo tempo modificam sua “concepção de gênero, sexualidade, raça, etnia, classe social, entre outras”. (p. 160).
            Exemplificando Rael, (2010) afirma que essas situações podem acontecer através de uma novela, uma propaganda, um desenho animado, enfim, qualquer uma dessas vias pode atuar influenciando comportamentos e identidades sociais a serem seguidos e que sem que as pessoas percebam regulam suas vidas.
            Portanto, diante das variadas veiculações de saberes que ditam padrões de comportamento estão, os desenhos animados, que por sua vez são grandes recursos de aprendizagem diante de sua ampla circulação, na verdade, Rael (2010), coloca o desenho com um importante artefato cultural do século XXI. É interessante a forma como a autora posiciona o desenho animado, caracterizando-o como uma Pedagogia, já que exercita esse fim em concordância com a perspectiva de Steinberg (1997) que também tem essa mesma visão.
            Entre os desenhos animados, a autora selecionou alguns trechos de desenhos animados da Disney, sendo estes: “A pequena Sereia (1989), A bela e a fera (1991) e Mulan (1998). Nos desenhos da Disney muitos recursos simbólicos são utilizados para mostrar comportamentos, como apropriado e inadequado, os personagens bons dos desenhos são representados por cores claras e os maus, pelas cores escuras, assim, determinam quem são os heróis e quem são os vilões da história.
            A representação gráfica, ou seja, a imagem dos personagens também mostra as diferenças entre os personagens no desenho. Normalmente as heroínas são magras, possuem olhos pequenos, traços delicados, nariz fino e bem pequeno, tem uma voz afinada e deliciada ao se ouvir. As “[...] vilãs tem as linhas e traços mais pontiagudos, as feições são marcadas por traços mais fortes, tradicionalmente consideradas como feias e grotescas”. (p. 162).
            Sobre a sexualidade feminina, as heroínas, sempre são marcadas como as que vivenciam um período de graça da puberdade, normalmente, heroínas adolescentes, as que estão no auge da sexualidade são as maduras como a madrasta da Branca de Neve, a bruxa do mar Úrsula, já as personagens que representam as mulheres na “pós-menopausa” são sempre as serviçais, as boas fadas, como a Madame Samonar, a mãe e a avó de Mulan, o que de certa forma mostra que as mulheres mais velhas não são sexualmente ativas  e a imagem de que elas não podem ter esse direito, são propagadas de forma que sempre são vistas dessa forma, e isso condiz com a realidade da sociedade, nos “desenhos circulam essas mesmas representações de corpos e de aparências, e ainda são veiculados determinados discursos sobre gênero, sexualidade, raça”. (p. 162).
           A autora enfatiza que através de histórias como ‘A pequena sereia’, ‘A bela e Fera’ e ‘Mulan’, as crianças, assim como os jovens, “aprendem quais os comportamentos devem valorizar, quais atitudes e gestos adequados a cada um dos gêneros”. (p. 163).
                                                                                                     
3.1 A GAROTA IDEAL

            Rael, (2010) apresenta os desenhos da Disney, ‘A pequena sereia’, ‘A bela e Fera’ e ‘Mulan’, como diferentes, assim como os grupos dos quais pertencem. Nos desenhos, as personagem devem ser “Gentis e bondosa”, “amiga” reforçando um padrão comportamental, o padrão de delicadeza, contudo, sobre os grupos, sabe-se que o:

“[...] mesmo grupo que as marca e as exclui é aquele que se utiliza de alguns mecanismos como, por exemplo, a música e as palavras para dizer como essas jovens “devem ser” a fim de que também passem a ser parte dessa comunidade, mais que isso, como elas devem se constituírem a “garota ideal”. (p. 163).

            Nos desenhos ‘A pequena sereia’, ‘A bela e Fera’ e ‘Mulan’, analisados pela autora, existe “uma grande preocupação em mostrar quais as atitudes são consideradas a uma garota. A maneira como elas devem agir são constantemente ensinadas”. (p. 163).
            Em ‘A pequena sereia’, Ariel assume a sua identidade ao ser apontada como “princesa”, “bela garotinha”, “garota maluca”, já em ‘A bela e fera’ a personagem principal assume a identidade de uma garota doce, que educa, ensina e cuida e ainda como um ser salvador do sexo masculino, e que é capaz de ajudar a fera a ser melhor. Em Mulan, a identidade de garota ideal é definida como aquela que cuida que cozinha, não precisa ser bela e não deve usar o cérebro. (RAEL, 2010).
            A autora conclui ressaltando que em todos os três desenhos analisados, as representações indicam padrões hegemônicos de masculinidade e de feminilidade, e ainda todos exercem Pedagogia de gênero e de sexualidade.

4 CONCLUSÃO

            Os desenhos animados veiculam discursos e as pessoas acabam adotando os saberes e as informações como um padrão, ou seja, o comportamento das personagens nos desenhos, muitas vezes é aprendido sendo muito difícil de ser mudado.
            Os desenhos criam diferenças, pessoas são marcadas como diferentes, e onde isso começa? Primeiramente ao assistir os desenhos em casa e depois na escola porque é uma importante instancia de saberes e de grandes variedades de comportamentos.
             Foi muito importante compreender os desenhos animados como Pedagogias, de gênero e de sexualidade, e ainda como instância cultural, capaz de ensinar a produzir e reproduzir identidades, de gênero e de sexo de crianças e adolescentes.
            Neste caso, o professor diante dessa realidade precisa saber como atuar junto a esses desenhos, intervindo, instruindo-os para que esses padrões sejam superados, já que na realidade, as diferenças existem, e também merecem ser valorizadas.

RERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LOURO, Guacira Lopes; GOELLNER, Silvana. Gênero e Sexualidade: Um debate contemporâneo na educação. 5ª edição. Rio de Janeiro: Vozes, 2010.


STEINBERG, Shirley R. Kindercultura: A construção da infância pelas grandes corporações. Rio de Janeiro: Vozes, 1997.


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