' '' O Modelo Pedagógico VM para o desenvolvimento-de-competências segundo Vasco Moretto. | PROFESSORES DE PVH - POR VAL BARRETO

7 de mar. de 2019

O Modelo Pedagógico VM para o desenvolvimento-de-competências segundo Vasco Moretto.


Por Val Barreto.

1 INTRODUÇÃO

            Esse trabalho consiste no resumo da parte II do livro: “PLANEJAMENTO: PLANEJANDO A EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS” do autor Vasco Pedro Moretto que consiste em uma seleção de informações do autor para reflexão sobre a temática do planejamento educacional como prática norteada do Pedagogo na sala de aula e desenvolvimento das competências do aluno.
  O resumo inicia verificando alguns aspectos quanto as competências não como alcance, mas como desenvolvimento e segue analisando uma interpretação do problema, a não listagem de competências a serem alcançadas, e ainda faz menções sobre a complexidade de situações, o modelo pedagógico do desenvolvimento-de-competências  e por fim, à guisa de conclusão

2 O MODELO PEDAGOGICO VM PARA O DESENVOLVIMENTO-DE-COMPETÊNCIAS 

            Analisar o Pedagógico VM para o desenvolvimento-de-competências oportuniza reflexões significativas sobre como as competências do educando se configuram, aliás, é comum acredita que o aluno adquire às competências necessárias a aprendizagem no decorrer do ensino, contudo, Moretto (2013) acredita que essa posse de competências, não se alcança e sim se desenvolve de acordo com a prática pedagógica no cotidiano da sala de aula.

Segundo Moretto (2013) existe ainda paradigmas em torno do ‘educar por habilidades e competências’ colocando em pauta a questão dessa prática ser um novo ou velho paradigma de ensino, certamente, fica claro, que as afirmativas por um por outro, são presentes na atualidade.
Moretto (2013) inicia com um questionamento muito importante, ao indagar sobre o que as ações de do ‘educar por habilidades e competências’ significam na prática do dia-a-dia do professor na sala de aula, e ainda enfatiza grande confusão em torno dessa discussão apontando como agravante a linguagem excessivamente acadêmica utilizada para definir os conceitos e discutir o assunto como responsável por deixar os professores confusos e por fazer com que acreditem que o esse modelo pedagógico do ensino ainda seja visto como um paradigma e como rótulo de mais um dos ‘modismos’ comuns no âmbito escolar.
A falta de clareza na abordagem do tema torna-se grave diante da demanda exigida pelos “órgãos legais, de que propostas pedagogias explicitem “quais as competências e quais as habilidades” que os estudantes precisam alcançar no término de uma série, de um ciclo ou de um curso”. (MORETTO, 2013, p. 69).
O autor afirma que essa exigência piora ainda mais quando a compreensão dos conceitos de competência e de habilidades não é coerente ao que significa de fato, e explicita o aparecimento da seguinte situação: “o que há alguns anos era chamado de objetivo geral transformou-se em competência e o que era chamado de objetivo específico transformou-se em habilidade”. (MORETTO, 2013, p. 69), essa situação acontece o tempo todo, a confusão é generalizada e atrapalha as mudanças indispensáveis na educação.
O senso comum, de acordo com Moretto (2013) fornece o que o ator chama de ‘boa pista’ para analisar esse paradigma da educação para o desenvolvimento-de-competências e afirma que a ênfase a palavra ‘desenvolvimento’ mostra que a competência não se alcança, desenvolve-se.
O conceito de competência adotado por Moretto (2013) no texto se apóia nos estudos, de Guy Lê Boterf e de Philippe Perrenoud que define a competência como “a capacidade do sujeito mobilizar recursos visando abordar e envolver situações complexas”. (p. 70).
A partir desse conceito Moretto (2013) afirma que essa é a base para esse paradigma de uma educação que propicia o desenvolvimento de competências e não educação para o alcance de competências.
            Considerando que um dos atributos da competência envolve situações completas, Moretto (2013) analisa o que é uma situação complexa a partir da definição de Edgar Morin do que é a complexidade:

[...] a complexidade é um tecido (complexus: o que é tecido junto) de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas: ela coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Num segundo momento, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico (MORIN, 2006, p. 13).

Em somatória a complexidade, Moretto (2013) lista algumas características gerais de uma situação complexa, que segundo ele poder ser:

[...] 1) um fenômeno da natureza, um fato social, um acontecimento, um problema.  2) Supõe uma variedade de relações que precisam ser consideradas para a análise e compreensão de um problema a ser solucionado 3) Encerra o desafio de relacionar pontos de vista muitas vezes opostos, exigindo escolhas para a solução do conflito. 4) Pode conter soluções ainda não encontradas e que fujam dos paradigmas estabelecidos. 5) Exige do sujeito que aprende um esforço de elaboração que envolve suas concepções prévias, suas habilidades, sai visão de mundo, seus valores e sua ideologia. 6) As relações entre os elementos da situação se apresentam em gradientes de dificuldades do ponto de vista de quem aprende, estando em grau de dificuldade relacionado com a estrutura cognitiva do sujeito. (MORETTO, 2013, p. 72).

A partir das definições das situações complexas, o autor questiona as ações da escola diante disso, afinal, o mundo físico é cheio de complexidade, e a escola faz o que diante das situações? Tal qual a ciência, a escola segue o paradigma da simplificação, colocando fenômenos complexos e dando a ele ar da simplicidade, mas do ponto de vista formal, embora a escola rotule como simples, a complexidade se perpetua, e não importa como aparente, ao compreender algumas partes, não significa que a totalidade tenha sido compreendida, conforme dito, apenas partes.
O problema da complexidade no espaço escolar esta relacionado as situações complexas vivenciadas pelos envolvidos diretamente no sistema de ensino, pensando nisso, o autor revela a criação de um modelo pedagógico com o objetivo de auxiliar a prática dos professores dentro de “um conjunto de princípios fundamentados na perspectiva Epistemológica  Construtivista Sociointeracionista, tendo como foco a educação para o desenvolvimento-de-competência”. (p. 75).
O modelo pedagógico VM, segundo o autor se refere ao “conjunto de cinco recursos fundamentais que o sujeito cognoscente deve desenvolver para resolver com competência, uma situação complexa”. (p. 76). Na ilustração a seguir é possível ver o esquema dos cinco recursos do VM:

Ilustração 1. Esquema dos cinco recursos do VM
Fonte: Adaptado de Moretto, 2013


O autor explica que o primeiro recurso “CC”, para resolver uma situação complexa se refere aos Conteúdos Conceituais, que por sua vez precisam ser compreendidos, neste caso, é necessário haja conhecimento de “alguns conteúdos conceituais e das relações fundamentais entre eles”. (p. 78). O autor defende que o primeiro passo a ser dado, é o do professor, que deve conhecer a si mesmo e posteriormente, conhecer os alunos, esse reconhecimento se expande para a área psicológica e social.
Esse conhecimento é importante para que haja compreensão da integralidade desse processo, ainda mais considerando esta amplitude, como enfatiza o autor, é necessário ter esse conhecimento psicológica e social, para só então lidar com a “diversidade de temperamentos, personalidades, valores sociais, formas de aprendizagem etc. Conhecer, conceitualmente os fundamentos psicossociais”. (p. 78).
O 2º recurso do modelo pedagógico VM se refere ao H, apontado pelo autor como representante do ‘desenvolvimento de habilidades’, o termo habilidade, pode ser associada a múltiplas definições, todavia, “no senso comum, habilidade é a capacidade que alguém desenvolveu para fazer alguma atividade específica” (p.80).
Conforme esclarece Moretto (2013), para que haja uma melhor compreensão do que seria ‘habilidade’, é necessário analisar um exemplo de metáfora relacionada, como a metáfora da transferência, melhor representada pela ilustração a seguir:

 Ilustração 2. Esquema de representação de situação de transferência de conhecimento:
 Fonte: Adaptado de Moretto, 2013.

Conforme disposto acima é possível notar que de acordo com a metáfora da transferência, uma vez que descobertas as igualdades, aplica-se no contexto de uso, os procedimentos aprendidos no contexto de gênese, essa é a ideia central nessa metáfora.
A linguagem “L” é o 3º recurso do modelo pedagógico VM, sabe-se que a resolução de situações complexas exige uma linguagem própria, que conforme estabelece o autor “adequada aos conteúdos conceituais a ela relacionados”. (p. 86).
No que se refere a linguagem do professor, a linguagem é fundamental visto que é o instrumento pelo qual media o ensino para o aluno através da expressão oral e escrita.
O 4º recurso, “VC”, representa os valores culturais, também um importante atributo para resolução de situações complexas já que a contextualização fornece sentido ao relacionar-se com o conhecimento. 
Conforme corrobora Moretto (2013, p. 92) o “contexto normalmente está relacionado aos valores culturais. Nos valores culturais estão a ética, a moral, o projeto de sociedade, as representações, a linguagem, entre outros”.
A administração do emocional “A.E” é o quinto e último recurso, e conforme explica o autor (p. 95) uma expressão comum pode explicitar melhor essa situação quando exemplifica: “o sujeito perdeu a cabeça e por isso perdeu o jogo”. Esse último e não menos importante recurso é considerado pó Moretto (2013) como um dos pilares da competência profissional, pois ao falhar, o professor compromete o ensino e, portanto, a aprendizagem do aluno.
Moretto (2013) explica que é comum ouvir os alunos lamentarem ao fracassar nas provas, mesmo tendo se preparado de acordo com parte dos recursos pedagógicos VM, senão pela maior parte, contudo o desenvolvimento precário do recurso da “administração do emocional “A.E” é capaz de danificar todos os outros.

Mas professor, eu sei toda a matéria (CC), fiz todos os exercícios do livro (H), domino a linguagem deste assunto (L), respeito os valores culturais e sei relacioná-los ao assunto estudado (VC), só que na hora da prova fiquei nervoso e deu branco. (p. 95).

Dessa forma, notou-se que embora o aluno houvesse percorrido quatro dos recursos VM, a ausência do AE comprometeu o resultado final, pois o aluno perdeu o controle emocional.
A partir dessas considerações vale destacar que é necessário haver integralidade entre todos os recursos pedagógicos VM, pois cada um complementa o outro e na ausência de um, o outro será danificado, o aproveitamento do aluno bem como os resultados não serão atingidos como esperado.

3 CONCLUSÃO

            Esse estudo trouxe contribuições significas a aprendizagem, principalmente no que se refere a desconstrução do paradigma (seja novo ou seja velho) de ensinar a partir das competências e habilidades.
            O modelo pedagógico VM é muito importante para o sistema educativo, principalmente as ações do ‘ensinar’ e do ‘aprender’ no espaço escolar. Sabe, que embora o foco seja dado as competências e habilidades desenvolvidas pelo aluno, o professor também precisa desenvolver esses atributos, para só então fazer uso dos recursos, aliás, nem sempre o conhecimento da disciplina, as habilidades de ensinar, a linguagem clara e concisão não são suficientes para que o aluno se desenvolva, é necessário que a este esteja atrelado seu bem estar emocional e a integração entre todos os cinco recursos do VM.
            Portanto, professores e alunos que desenvolverem o modelo pedagógico VM, poderão aprimorar cada vez mais seus recursos, conforme ressalva do autor, não há limites, por isso, não importa o quanto se desenvolva competências, sempre haverá mais e mais recursos disponíveis para resolver uma situação complexa.


RERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COELHO, Barreto Valdineia. O Modelo Pedagógico VM para o desenvolvimento-de-competências segundo Vasco Moretto.  Rondônia: Universo Pedagogia, 2019. Disponível em: 
< https://professoresdepvh.blogspot.com/2019/03/o-modelo-pedagogico-vm-para-o.html>

MORETTO, Vasco Pedro. Planejamento: planejando a educação para o desenvolvimento das competências. Petrópolis: Vozes, 2013.

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2006.

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