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7 de mar. de 2019

Interdisciplinaridade: Origem e Conceitos!


Por Valdineia Barreto Coelho¹

INTERDISCIPLINARIDADE

O estudo teórico da Interdisciplinaridade tem motivado muitos pesquisadores a investigar seus sentidos e sua importância no desenvolvimento do ensino-aprendizagem em sala de aula, afinal, qualquer contribuição a construção do saber precisa ser considerada. Antes de analisar a interdisciplinaridade, é preciso compreender o sentido de “Disciplina”, para identificar a origem da interdisciplinaridade e por fim, alguns conceitos de alguns estudiosos que abordam a temática em questão.


ORIGEM

         A disciplina é uma categoria constituinte dos diversos campos do conhecimento que envolve a ciência. Para melhor entender a noção de disciplina, é preciso contextualizar sua inserção no campo do saber, ou seja, sua forma de organização.
Segundo Morin (2002, p. 105):

A organização disciplinar foi instituída no século XIX, notamente com a formação das universidades modernas; desenvolveu-se, depois, no século XX, com o impulso dado à pesquisa científica; isto significa que as disciplinas têm uma história: nascimento, institucionalização, evolução, esgotamento, etc; essa história está inscrita na da Universidade, que, por sua vez, está inscrita na história da sociedade;

         Portanto, a disciplina é uma forma de organização e delimitação, é um conjunto de táticas organizacionais que fluem de uma seleção conhecimentos preceituados, para só então serem mediado aos alunos, neste caso, a interdisciplinaridade surge para apoiar um conjunto de procedimentos didático-pedagógicos para o ensino-aprendizagem e avaliação do desempenho do educando.
            A interdisciplinaridade chegou ao Brasil no final da década de 60, iniciando a década de 70, contudo, a atenção era dada apenas pelas questões da definição do termo e sem conotação com a prática, neste a interdisciplinaridade era apenas mais um slogan da educação, um modismo, algo novo, mas que não era vivenciado na prática docente.
            Sobre as primeiras discussões sobre a interdisciplinaridade, Fortes (2010, p. 6) afirma que:

[...] foram lançadas por Georges Gusdorf, em 1961 à UNESCO, que apresentou um projeto de pesquisa interdisciplinar para as ciências humanas, no qual fizeram parte alguns estudiosos de universidades européias e americanas, em diferentes áreas de conhecimento. A proposta desse grupo era indicar as principais tendências de pesquisa nas ciências humanas, no sentido de sistematizar a metodologia e os enfoques das pesquisas realizadas pelos pesquisadores.

         Contudo, a nível nacional, a primeira produção significativa sobre a interdisciplinaridade no Brasil é de Hilton Japiassu que nessa época, difundiu questionamentos importantes sobre a interdisciplinaridade, o autor tentava elencar motivos para a prática da interdisciplinaridade:

Nesse sentido, tentaremos apresentar as principais motivações desse empreendimento, bem como as justificações que poderão ser invocadas em seu favor. Tudo isso, no contexto de uma epistemologia das ciências humanas, as voltas coma suas “crises” e com seus impasses metodológicos. A resolução dessas crises coincide pelo menos em parte, com os objetivos a que se propõe o método interdisciplinar (JAPIASSU, 1976, p.53).

         Percebe-se que Japiassu chamava a atenção para a resolução das crises e confusões metodológicas e para ele, a interdisciplinaridade era a solução para que esta crise fosse solucionada.
            Segundo Fortes (2010) outro trabalho sobre a interdisciplinaridade contribuiu para o desenvolvimento da abordagem interdisciplinar no Brasil, sobre este, o autor afirma que foi realizado em 1970:

[...] foi desenvolvido por Ivani Fazenda como pesquisa de mestrado, que surgiu a partir de Japiassu e estudos sobre interdisciplinaridade na Europa. Onde a autora permaneceu no seu primeiro estudo, mais no trato dos aspectos relativos à conceituação do que à metodologia (p. 6).


Na década de 80 ainda existiam algumas dicotomias herdadas da década passada, contudo, a história da educação precisava finalmente definir pesquisas construtivas sobre a teoria/prática, verdade/erro, certeza/dúvida, processo/produto, real/simbólico, ciência/arte e mais que isso, a refletir sobre esses elementos.
Na década de 90 iniciou-se a construção de uma nova epistemologia, a própria da interdisciplinaridade, em busca de um projeto antropológico, ou seja,  a construção de uma teoria da interdisciplinaridade. Segundo Fazenda (1999), os primeiros estudos das questões da interdisciplinaridade podem ser divididos em três momentos, apresentados pela figura a seguir:

Figura 1. Três momentos que marcaram os primeiros estudos da interdisciplinaridade:
 Fonte: Adaptado de Fazenda, 1999; Fortes, 2010.

Assim como a origem da interdisciplinaridade, os conceitos também envolvem alta complexidade, contudo, afinal o contexto histórico da interdisciplinaridade pode não ter o mesmo sentido para todos, para um ou outro autor, podem haver semelhanças ou basearem-se em ideias um pouco distintas.

CONCEITOS

Sabe-se que os estudos envolvendo o conceito de interdisciplinaridade surgiram com os estudos da obra de Georfes Gusdorfe, sendo estudado posteriormente por Piaget.
Segundo Andrade (2011) a Inter/Disciplinar/Idade deriva da palavra primitiva DISCIPLINAR (que diz respeito à disciplina), por prefixação (INTER-ação recíproca, comum) e sufixação (DADE - qualidade, estado ou resultado da ação).
Para Japiassu a “interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de interação real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa” (1976, p. 74).
Segundo Fazenda (1993),

[...] o pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. Tenta, pois, o diálogo com outras formas de conhecimento, deixando-se interpenetrar por elas. Assim, por exemplo, aceita o conhecimento do senso comum como válido, pois é através do cotidiano que damos sentido às nossas vidas. Ampliado através do diálogo com o conhecimento científico, tende a ser uma dimensão utópica e libertadora, pois permite enriquecer nossa relação com o outro e com o mundo.

Neste caso, quando há comunicação entre diversos conhecimentos há diálogo e dessa forma, todo saber é válido, afinal, essa ideia valoriza o sentido que o dia a dia de cada sujeito na sociedade é parte de um todo.
Deste modo, Ferreira (1993) afirma que:

Apesar de não possuir definição estanque, a interdisciplinaridade precisa ser compreendida para não haver desvio na sua prática. A ideia é norteada por eixos básicos como: a intenção, a humildade, a totalidade, o respeito pelo outro etc. O que se caracteriza uma prática interdisciplinar é o sentimento intencional que ela carrega. Não há interdisciplinaridade se não há intenção consciente, clara e objetiva por parte daqueles que a praticam. Não havendo intenção de um projeto, podemos dialogar, inter-relacionar e integrar sem, no entanto, estarmos trabalhando interdisciplinarmente".


Pereira (2014) a interdisciplinaridade pode ser entendida como:

A tentativa do homem conhecer as interações entre mundo natural e a sociedade, criação humana e natureza, e em formas e maneiras de captura da totalidade social, incluindo a relação indivíduo/sociedade e a relação o entre indivíduos. Consiste, portanto, em processos de interação entre conhecimento racional e conhecimento pensável, e de integração entre saberes tão diferentes, e, ao mesmo tempo, indissociáveis na produção de sentido da vida.

Portando, é importante o professor conheça o conturbado contexto em que surgiu a interdisciplinaridade e os diferentes conceitos que envolvem a ideia de interdisciplinaridade, afinal, se ela é tão complexa teoricamente, a prática também se resguarda a grande complexidade e considerando que o âmbito escolar envolve uma grande diversidade, todo o contexto histórico, social e cultural deve ser considerado antes da atuação interdisciplinar na sala de aula.


REFERÊNCIAS


ANDRADE, Rosamaria Calaes de. Interdisciplinaridade: Um novo paradigma curricular. Pará: UFPA, 2011. Disponível em: < http://www.ufpa.br/ensinofts/interdisci.html> Acesso em: 13 de julho, 2015 às 17h18min.


FAZENDA, Ivani Catarina, Arantes. Interdisciplinaridade: definição, projetos, pesquisa. In: ____. Práticas interdisciplinares na escola. 2ed. São Paulo, Cortez, 1993 (p.15-18).


____. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 4 ed. Campinas: Papirus, 1999.

FERREIRA, Sandra Lúcia. Introduzindo a noção de interdisciplinaridade. In:___. Práticas interdisciplinaridades na escola. 2 ed. São Paulo, Cortez, 1993(P.33-35)

FORTES, Clarissa Corrêa. Interdisciplinaridade: origem, conceito e valor. Minas Gerais: UFSM, 2012. Disponível em: <http://www.pos.ajes.edu.br/arquivos/referencial_20120517101727.pdf> Acesso em: 13 de julho, 2015 às 17h35min.

JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e Patologia do saber. Rio de Janeiro:
Imago, 1976.

MORIN. A cabeça bem feita. Repensar a reforma repensar o pensamento. 6 ed.,
Rio de janeiro: Bertrand Brasil ltda, 2002.

PEREIRA, Isabel Brasil. Interdisciplinaridade. São Paulo: Fio Cruz, 2014. Disponível em: < http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/int.html> Acesso em: 13 de julho, 2015 às 17h27min.

COELHO, Valdineia Barreto. Interdisciplinaridade: Origem e Conceitos. Rondônia: Universo Pedagogia. Disponível em: <> Acesso em: __/__/__ às 00h00min.

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¹ Artigo escrito por Valdineia Barreto Coelho – Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Faculdade Metropolitana | UNESSA, Porto Velho Rondônia. E-mail: valdineiabarreto2015@gmail.com.


SUGESTÃO DE REFERÊNCIAS:

COELHO, Valdineia Barreto. Interdisciplinaridade: Origem e Conceitos. Rondônia: Universo Pedagogia. Disponível em: <> Acesso em: __/__/__ às 00h00min.

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